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Por Equipe Repleno · Publicado em

Como calcular quanto comprar para sua loja e evitar excesso de estoque

Para calcular quanto comprar, estime a demanda até a chegada da reposição seguinte, acrescente uma proteção para imprevistos e desconte o estoque que poderá atender esse período. Nessa análise, entram os produtos disponíveis, as entradas confirmadas e o que pode ser destinado à loja pelo CD ou por outras unidades.

O pedido de compras resulta dessa comparação. Quando a rede aproveita o que já tem, consegue direcionar novas compras às necessidades que continuam descobertas.

Isso exige olhar além da venda do último mês. Duas lojas com a mesma venda recente podem precisar de compras diferentes porque têm saldos, pedidos em trânsito e prazos de abastecimento distintos.

O que o CD da Renner ensina sobre planejar por SKU

Em reportagem de julho de 2026, o Brazil Journal descreve como o CD de Cabreúva permitiu à Renner substituir envios em caixas com proporções fixas de tamanhos por abastecimento individualizado por SKU. Isso permite adequar os envios ao comportamento de compra de cada loja. [1]

A própria Renner documentou, em relatório aprovado em julho de 2025, a gestão por SKU e o modelo de abastecimento push and pull, orientado pela reposição dos itens vendidos. [2]

A aplicação para uma rede pequena ou média começa pela granularidade da decisão. Uma categoria pode ter estoque suficiente no total e, ainda assim, apresentar falta de determinadas variações. SKU é o código que identifica cada uma delas, como uma camiseta azul tamanho M ou um frasco de shampoo de 300 ml.

Planejar nesse nível permite responder: quantas unidades deste SKU serão necessárias nesta loja, quanto o CD pode enviar e qual parte da necessidade exige uma nova compra?

1. Defina por quanto tempo a compra precisa atender a loja

Na rotina de compras periódicas, dois prazos entram na conta:

  • Prazo de entrega: tempo entre fazer o pedido e ter o produto disponível para venda.
  • Intervalo entre pedidos: tempo até a próxima oportunidade de revisar o estoque e comprar novamente.

Em uma rotina de compras periódicas, um ponto de partida é:

Período de planejamento = prazo de entrega + intervalo entre pedidos.

Se o fornecedor demora 15 dias e você compra a cada 28 dias, o horizonte é de 43 dias a partir de hoje. O pedido de hoje chega em 15 dias; o próximo pedido, feito daqui a 28 dias, chegaria no dia 43, mantendo o mesmo prazo de entrega.

Essa é a lógica de uma política de revisão periódica: em cada revisão, calcula-se quanto falta para atingir um nível-alvo de estoque. Uma pesquisa publicada em 2025 examina a relação entre prazo de entrega, previsão e custos nesse tipo de sistema. [3]

E a rotina de compras contínua?

Também existe a revisão contínua: acompanha-se a posição de estoque — saldo utilizável mais pedidos confirmados, sem contar quantidades já comprometidas — e uma nova compra é acionada quando essa posição atinge ou fica abaixo de um ponto de pedido. [4]

Ponto de pedido ≈ demanda prevista durante o prazo de entrega + estoque de segurança.

Nesse modelo, o gatilho é a necessidade do SKU, sem esperar uma data fixa de compra. O ponto de pedido define quando comprar; a quantidade depende da política adotada, como um lote definido ou a reposição até um nível-alvo. O exemplo a seguir usa revisão periódica, mas ambos os caminhos exigem acompanhar demanda, prazos e disponibilidade.

2. Estime a demanda e defina uma proteção

Use a previsão de vendas para o período escolhido. Em um cenário de demanda estável, uma conta inicial seria:

Demanda prevista = venda média diária × dias do período.

Quando houver sazonalidade ou promoções, use a projeção ajustada para as datas envolvidas. Se o período atravessa dois meses com ritmos diferentes, calcule a demanda de cada trecho e some.

Depois, considere o estoque de segurança: uma proteção para variações de demanda e atrasos. Dois SKUs com a mesma previsão média podem exigir proteções diferentes se um vender regularmente e o outro apresentar picos difíceis de antecipar.

A quantidade adequada varia por produto e operação. No exemplo a seguir, adotaremos uma proteção ilustrativa apenas para demonstrar o cálculo. Na prática, ela deve ser calibrada com o histórico de erros de previsão, a confiabilidade das entregas e o nível de atendimento desejado.

3. Desconte o que poderá atender à necessidade

Organize a disponibilidade em grupos que não se sobreponham:

  • Estoque utilizável na loja, sem itens avariados ou já comprometidos.
  • Pedidos já confirmados, ainda não incorporados ao saldo da loja.
  • Reposição que o CD pode destinar à loja.
  • Remanejamento que outras unidades podem realizar sem prejudicar seu próprio atendimento.

Considere a data de cada chegada. Um produto que estará disponível depois do momento da necessidade não resolve a falta anterior.

Também evite a dupla contagem. Se um envio do CD já aparece entre as entradas confirmadas, ele não deve ser descontado novamente como uma nova reposição possível. E as mesmas unidades do CD não podem atender simultaneamente ao planejamento de duas lojas.

A fórmula de compra por SKU e loja

Para a revisão periódica usada neste exemplo, uma versão simplificada do cálculo é:

Compra sugerida = máximo entre zero e (demanda prevista no período + estoque de segurança − disponibilidade para atender ao período).

A disponibilidade inclui estoque utilizável e entradas confirmadas a tempo, além das reposições internas que serão efetivamente destinadas àquela loja. O nível-alvo muda quando a demanda projetada, os prazos ou a política de estoque mudam.

Um estudo de 2025 no varejo de beleza investiga essa conexão entre previsão e decisões dinâmicas de reposição. [4] A conta abaixo traduz a lógica para um exemplo simples, com demanda constante e entradas que chegam no prazo.

Exemplo: uma necessidade de 98 unidades resulta em compra de 20

Considere um SKU de alto giro, como um shampoo de 300 ml, com demanda estável de duas unidades por dia. Os números abaixo são fictícios.

Componente Quantidade
Prazo de entrega do fornecedor 15 dias
Intervalo entre pedidos 28 dias
Período de planejamento 43 dias
Demanda prevista: 2 × 43 86 unidades
Proteção adicional adotada 12 unidades
Necessidade total planejada 98 unidades

A loja tem 40 unidades utilizáveis desse SKU. Outras dez unidades já estão em trânsito e chegarão a tempo. O gestor confirma mais 20 unidades disponíveis para essa loja no CD e oito que outra unidade pode ceder. Essas quantidades são distintas entre si.

Disponibilidade para atender ao período Quantidade
Estoque utilizável na loja 40 unidades
Entrada já confirmada 10 unidades
Nova reposição confirmada pelo CD 20 unidades
Novo remanejamento confirmado 8 unidades
Total a aproveitar 78 unidades

Compra calculada = 98 − 78 = 20 unidades.

Sem considerar o CD e o remanejamento, a conta indicaria 48 unidades. Aproveitar essas duas origens reduz em 28 unidades a nova compra destinada a essa loja, nas condições do exemplo.

As 40 unidades iniciais cobrem 20 dias de demanda média, suficientes para atravessar os 15 dias até a chegada do fornecedor. Essa conferência de prazo é essencial: uma quantidade total suficiente no horizonte pode esconder uma falta antes da primeira entrega.

Ao fazer o planejamento da rede inteira, lembre que remanejamentos alteram a localização dos produtos. Eles não criam estoque adicional e podem mudar a necessidade futura da unidade que envia.

E se a reposição vier do CD?

A lógica é semelhante, mas os prazos e a disponibilidade da origem mudam. Se o CD entrega em um dia e a loja revisa a reposição a cada sete dias, o período básico de proteção é de oito dias. Já a compra do exemplo anterior cobre 43 dias, pois depende de outro prazo e de outra frequência de pedidos.

Isso explica por que a cobertura-alvo de uma loja abastecida rapidamente pelo CD pode ser diferente da cobertura necessária para uma compra ao fornecedor.

Quando o CD não tem estoque para atender a todas as lojas, surge uma segunda decisão: distribuir as unidades disponíveis entre os destinos. Nesse momento, a necessidade por SKU, o risco de falta e as regras de exposição precisam entrar na priorização.

4. Ajuste o pedido às condições reais da operação

O cálculo organiza a necessidade. Antes de enviar o pedido ao fornecedor, confira as restrições comerciais e operacionais.

Lotes mínimos e múltiplos de compra. Um fornecedor pode exigir caixas fechadas ou grades. Se a necessidade for de 20 unidades e a caixa tiver 12, comprar duas caixas significa receber 24. Avalie as quatro unidades adicionais e, quando houver grade, a distribuição entre SKUs.

Exposição e espaço. A loja precisa apresentar o sortimento de forma adequada, mas também tem limite de capacidade. Se houver uma regra de exposição mínima, deixe claro como ela se relaciona com a proteção já considerada, evitando somar reservas com a mesma finalidade.

Orçamento disponível. Quando o caixa não permite atender toda a necessidade, estabeleça prioridades por risco de falta, demanda esperada, contribuição e importância no mix. O faturamento histórico sozinho pode concentrar a compra e deixar partes relevantes da grade descobertas.

Ciclo de vida do produto. Itens básicos com reposição recorrente e peças de fim de coleção exigem decisões diferentes. Perto do encerramento da coleção, considere o tempo restante de venda e a possibilidade de remanejar o saldo existente.

5. Acompanhe o pedido até ele virar disponibilidade

Registre a quantidade comprada e a previsão de chegada. Se houver atraso, entrega parcial ou cancelamento, atualize o planejamento.

Uma rotina simples é revisar três perguntas: o que está prestes a faltar, o que já tem chegada confirmada e o que pode ser resolvido com estoque da própria rede? A compra seguinte parte dessa visão atualizada.

Perguntas frequentes

Devo comprar exatamente o que vendi no mês passado?

Use a venda passada como referência e ajuste a decisão à demanda futura, ao prazo de entrega e à disponibilidade atual. Uma loja que recebeu muita mercadoria recentemente pode precisar comprar pouco, mesmo tendo vendido bem.

O que fazer quando a conta de compra fica negativa?

Considere compra zero para aquela necessidade e investigue o excedente. Ele pode atender a outro período, ser remanejado ou exigir uma ação comercial, dependendo do produto.

Existe uma cobertura ideal para toda a rede?

Defina a cobertura conforme a velocidade de venda, os prazos de reposição e as características de cada item. Aplicar o mesmo número de dias a tudo pode esconder diferenças importantes entre produtos e lojas.

Como a Repleno automatiza o planejamento de compras

O exemplo envolve apenas um SKU em uma loja. Em uma rede com 5.000 SKUs e dez lojas, são até 50.000 combinações de SKU e loja para avaliar em cada ciclo, antes de considerar datas, entradas e alternativas de abastecimento.

A Repleno faz esse trabalho automaticamente. Com os dados integrados ao ERP ou PDV, a plataforma gera previsões diárias por SKU e loja, cruza essas projeções com estoque atual e em trânsito e considera os parâmetros de cobertura e abastecimento definidos para a operação.

Antes de montar o pedido de compras, sugere o que pode ser remanejado entre lojas e reposto pelo CD. A necessidade restante é transformada em uma proposta de compra por SKU, para que o gestor enxergue o que comprar e em qual quantidade.

Conforme os dados de vendas e estoque são atualizados pela integração, o planejamento acompanha a operação. O cliente não precisa exportar relatórios, atualizar fórmulas e reconstruir a sugestão do zero a cada pedido.

Seu trabalho passa a ser revisar a proposta, ajustar exceções comerciais e aprovar. A experiência do comprador continua presente na decisão, enquanto a Repleno automatiza o cálculo e a análise recorrente. Isso permite aplicar uma gestão de estoque mais detalhada mesmo com uma equipe enxuta.

Conheça a Repleno e solicite um teste para sua rede.

Continue a leitura

Fontes e referências

  1. Jankavski, A. — Brazil Journal (14/07/2026). Reportagem sobre o CD da Renner em Cabreúva, com entrevistas de executivos sobre o abastecimento individualizado por SKU. Ler a reportagem indicada.
  2. Lojas Renner S.A. (17/07/2025). Informações financeiras relacionadas à sustentabilidade — clima. Seção 1.2, página 16 do PDF: mudança no modelo de abastecimento e gestão por SKU. Ler o documento da companhia.
  3. Van Belle, J.; Crevits, R.; Guns, T.; Verbeke, W. (01/01/2025, publicação on-line). To change or not to change the lead time in a dynamic order-up-to inventory system? Journal of the Operational Research Society, 76(9), 1765–1776. Consultar o artigo científico.
  4. Namazian, Z.; Betts, J. M.; Stuckey, P. J. (24/07/2025). Predict and optimize: a smart inventory management model for beauty retail. Optimization Letters. Ler o artigo científico, de acesso aberto.

Os exemplos e as fórmulas simplificadas são didáticos. Os casos das fontes e as funcionalidades da Repleno são apresentados separadamente.